Tentativa de unoego

Tentativa de unoego

Aqui se inicia uma tentativa (provavelmente mais uma) de definição do unoego. Já deve estar evidente, depois de somar mais de uma dúzia de processos de feituras de unoegos e de textos sobre unoegos (que não deixam de ser, por sua vez, variações dos processos de feituras de unoegos), que essas tentativas não se afirmam por um fim, mas pela tentativa em si. Unoegos, unoegos, unoegos. Repetir, repetir até ficar diferente. Nos repetimos e nisso nos mudamos ali onde pequenas fissuras promovem desvios. Um unoego é, assim, sempre outro, ainda que o mesmo.

Neste texto optamos por abordar a palavra que nomeia: unoego. Curiosos que se aproximam dos unoegos podem se afetar por seus efeitos, mas também, e mesmo antes, pela elucubração de seu nome: uma união de duas palavras fortes e, em certa medida, redundantes. Do Uno, poderíamos falar de unidade, de integridade, intensidade. Do Ego, desde seu uso na psicanálise, falaríamos da personalidade de uma pessoa, mas etimologicamente, do sentido de um eu, de um si.

Poderíamos tentar explicar porque escolhemos esse nome, mas esse feito seria deliberadamente fabular. Escolhas como essa não são feitas com cálculos matemáticos; são mais como mágicas, embora em verdade resultem de movimentos complexos de composição com forças diversas que se manifestam no pensamento, num momento preciso, em imagens-palavras: unoego!

Não seria errado dizer que unoego sempre esteve conosco, que trazemos em nosso corpo, em nossa identidade. Todavia, é muito mais complexo que isso.

A noção de autoria é aqui, novamente, colocada em cheque – e poderia ser posta na seguinte indagação: quem vem primeiro, nós ou o unoego? Tentaremos algumas aproximações (filosóficas?) a partir da ideia unoego, de um certo unoego conceitual (ou existencial?). Vamos fazer isso solenemente, em um só parágrafo, que é na verdade um grande fôlego ao final do qual, se lá se chega, poder-se-á sentir o silêncio unoeguístico:

Unoegp, unoego, unoego, unoego, unoego, unoego, unoego, eunog, unoego, unoego, unoego, unoigop, unoegoe, iunpgego, unoego, unoego, unogeog, unoego, unoego, unoego, unoego, uynogo, unoego, unoego, uneogo, unoego, unoego, unoego, unoego, uneogo, uenogo uneogo, uneogo, uenogo, uenogo, unoeto, unoego, unoego, eunodo, uengo, unego, eunoego emgopenfe , einfeof mesmo que nossa proposta seja repetir algo maquinalmente ao teclado, em um gesto não racional, não consciente, até mesmo demente, a realidade desse universo desejado, tão pequena e tão imbecil, escapa por entre nossos dedos. Enquanto a mente tenta acertar as teclas, os dedos tamborilam no teclado, e enquanto os dedos tamborilam, a mente começa a perceber o tamborilar dos dedos. Dados os desvios da atenção para os dedos (e talvez para algo mais), já há um novo universo em ação. Podemos ouvir a música desse teclado, esses sons tão delicados. A alguém pode vir à mente a lembrança sensorial da primeira vez em que meteu os dedos num teclado de computador. Mente quem não tem alguma lembrança parecida em mente? Lembre-se, você, talvez ainda jovem ou criança, se sentindo importante ao digitar qualquer coisa pela primeira vez, talvez o seu próprio nome, talvez mesmo com o computador desligado. A mente vai se perdendo nisso enquanto os dedos sentem a resistência e a textura das teclas, e enquanto isso se digita unoego, unoego, unoego, unoeog, e enquanto isso a tarefa maquinal proposta se desenvolve de forma tão poética que poderia comover a mente, se ela não estivesse pensando nos dedos de então, enquanto os dedos de agora sentem as teclas. E a tudo isso envolve a música, esse aglomerado de sons pequenos, soando juntos, mas com alguns espasmos de velocidades e também de intensidades, t t t t t tttt p cp f t p cph pP p s. Em tUdo o que se faz, há mais coisas por se ver, mesmo Nos desviOs quE não deveriam ter aconteciGo, cOmo num erro de digitação. Vê-se, vê-se que o universo maquinal é vastíssimo, que é a Biblioteca de Babel! Vê-se as palavras que se formam na tela, unoego, unoego, unoegom, uenog, unegoe, vê-se ali a narrativa se construindo, uma história de deformação que é também uma transcendência do unoego, eunofo, unegok, uengoe, unoeg, uneogds, é um uneogeo, uneogeo, uneogoep, uneog, unoego, meungoe imbecil, uma atividade frívolaunoeg, unoge, uneogeo, unogeoek m ungeom, mas que é também uma verdade, vá lá, uma religião, a religião engasgadoegdo uneog, uengoe, unoego, unogeog, unoego, unogeo, unoego, uneoglk unmuegno, unegoe, unego , uneog, unoeg, unogeog, unoego , muengo,e jngeomgf meugpoem, uegopn, uneog, uneogo, m uneog, juneog,e unoeg,m uneogm iehjgnm oeuge m ngeugpke, ngepogu ,eg ejpjoeg ue mk,m neog unopeg, unoeg, munjoewgm unoegm unegp, unoeg, oiuhnepg, unoeg, unoeg, ohujnegpo, uengp,e guengope, unegl, eougnome guneog,m uhengome guengp,eg uengo,egom uengplk, eg, uenoge, unejgom, eugnoe, egjnoewgk unpoe,gm uynogme eugn pokegm eug9nom,e geougn elgm eugejom eugnome gunouesngmo uegn m jopeg em ou oegpeueg unmpe ,m unoegm uneopg ueg , tttttt psf s pt tppsjtpt psssssssssssssssssssssssss s s   ss   ss       s                                                    .

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