Era uma vez

 

Estevan é um artista contemporâneo que evidencia, através de performances que podem passar desapercebidas por quem está acostumado com a “diversidade” das redes sociais, uma poética do cotidiano que por uma lado afirma a potência dos afetos, da música, sons, suas letras e memórias e, por outro, põe em questão a ocupação dos espaços, fazendo deles lugares de paragens e de experiências singulares ao repetir encontros com músicas e o mesmo instrumento – que passam a ser outros nesses outros espaços, que por sua vez, também mudam.

São “micro” performances que trazem para a cena (de quem estiver no local e a “nós” pelas redes) justamente o espaço, que sempre está ali, dramatizando assim nossos modos de vive-los: de olharmos (e experiencia-los) em sua potência como lugar de estar, e não um ponto qualquer de passagem para um outro ponto ao qual, ao fim, nunca se chega por completo.

Assim nos cabe, talvez, perspectivar o mundo como esse espaço (e, ainda, nosso corpo como espaço) e em qual poética estamos investidos – uma vez que viver a vida tentando buscar algo não é menos uma invenção do que “buscar” o que já se encontra ali e aqui, em cada canto, em cada coisa e em cada ser.

Era uma vez, um dia em que todo dia era bom.